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Porque a Dor é uma questão de Saúde Pública?

A dor além de um alerta do corpo sobre algo que não vai bem, é também um fator que afeta a economia, os relacionamentos familiares e o bem estar emocional dos pacientes

Estudos feitos no Brasil, indicam que a média da população brasileira que se queixa ou sofre de dor, é de cerca de 30% a 40%. Em unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) ela chega a 50%. Como nossas restrições econômicas são maiores que nos países desenvolvidos, o SUS ainda não trata claramente dessa questão. Não existe uma política de saúde pública que leve em consideração a questão da dor, inclusive nas doenças citadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em que a dor é a dimensão agravante.

E porque a dor é um problema, se pode ser eliminada? É que atinge parte significativa da população. Algumas delas, como as cólicas menstruais, podem afetar milhares de mulheres. Outras, como dor de dente, continuam sendo frequentes causando sofrimento, faltas ao trabalho ou escola e restrições de toda natureza.

A questão é: Porque preocupar-se com dor em um mundo cheio de doenças que matam? A resposta é simples. Porque a dor está presente em todas elas. Dor é a dimensão silenciosa dos doentes que gera sofrimento e grande perda na qualidade de vida.

A dor crônica pode levar à imobilidade, depressão, alterações do sono, problemas nutricionais, dependência de medicamentos, de profissionais da saúde, de cuidadores e de instituições, incapacidade para o trabalho, ansiedade, medo, amargura, frustração, depressão e até ao suicídio!

Estudos de neuroimagem revelam mudanças morfológicas em algumas áreas do córtex cerebral. E revisões científicas mostram a extensão do problema. Mudanças físicas, funcionais e genéticas no cérebro de quem sofre dor persistente.

A complexidade dessas alterações são a somatória de fatores, adaptativos, de sobrevivência e disfuncionais. Reconhecer a complexidade da dor crônica, como uma doença, é fundamental para a prática clínica, diferenciando-a da dor aguda, para fins educacionais, científicos e até administrativos.

Estudos sobre cefaleia, outra importante causa de dor crônica e faltas ao trabalho, mostram que ela afeta 10% dos que procuram as unidades de Atenção Básica à Saúde (ABS) e cerca de 80% das pessoas entrevistadas relatam ter tido dor de cabeça no último ano. Desses, 22% sofriam cronicamente de enxaqueca e 6% de cefaleia crônica diária.

Apesar da palavra dor ter diferentes sentidos, sempre está relacionada ao sofrimento das pessoas. Ao tratarmos de dor estão presentes diferentes dimensões, desde a sensorial, passando pela afetiva, social e até mesmo a espiritual. Como então avaliar um paciente com dor?

Do ponto de vista da saúde é preciso conhecer os mecanismos da dor juntamente com as doenças que a causam, pois faz parte do dia-a-dia dos médicos e profissionais da saúde. Embora não seja questão restrita a eles, pois familiares de pacientes com dor, o sistema de saúde e a sociedade sentem o impacto decorrente do paciente com dor, particularmente quando esta é persistente, refratária a tratamentos ou crônica.

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